domingo, 25 de setembro de 2016

Natal / Politica Literária


Natal,
O sino longe toca fino
Não tem neves, não tem gelos.
Natal
Já nasceu o deus menino.
As beatas foram ver,
Encontraram o coitadinho
(Natal)
Mais o boi mais o burrinho e lá em cima a estrelinha alumiando
Natal.
As beatas ajoelharam
E adoraram o deus nuzinho
Mas as filhas das beatas
E os namorados das filhas,
Mas as filhas das beatas
Foram dançar Black-bottom
Nos clubes sem presépios.

O poeta municipal
Discute com o poeta estadual
Qual deles e capaz de bater o poeta federal.
Enquanto isso o poeta federal

Tira ouro do nariz.



domingo, 18 de setembro de 2016

A Rua Diferente:




Na minha rua estão cortando árvores
Botando trilhos
Construindo casas.
Minha rua acordou mudada.
Os vizinhos não se conformam
Eles não sabem que a vida
Tem dessas exigências brutas

So minha filha goza o espetáculo
E se diverte com os andaimes
A luz da solda autógena

E o cimento escorrendo nas formas.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Lagoa



Não vi o mar,
  Não sei se o mar é bonito
    Não sei se ele e bravo
      O mar não me importa.
Eu vi a lagoa.
A lagoa, sim
A lagoa é grande
E calma também
    Na chuva de cores da tarde que explode
      A lagoa brilha
        A lagoa se pinta
          De todas as cores
            Eu não vi o mar.

              Eu vi a lagoa...

sábado, 10 de setembro de 2016

Construção / Forma de Purificação (dose Dupla)



Construção:

Um grito pula no ar como foguete,
 Vem da paisagem de barro úmido, caliça e andaimes hirtos,
  O sol cai sobre as coisas em placa fervendo
   O sorveteiro corta a rua
    E o vento brinca nos bigodes do construtor.


Forma de purificação


Depois de tantos combates o anjo bom matou o anjo mau
E jogou seu corpo no rio.
As águas ficaram tintas, de um sangue que não descorava
E os peixes todos morreram.
Mais uma luz que ninguém soube dizer de onde tinha vindo
Apareceu para clarear o mundo.

O outro anjo pensou a ferida do anjo batalhador.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Europa, França e Bahia


Meus olhos brasileiros sonhando exotismos.
Paris. A torre Eiffel alastrada de antenas como um caranguejo.
Os cais bolorentos de livros judeus
E a água suja do Sena escorrendo sabedoria.
O pulo da mancha num segundo.
Meus olhos espiam olhos ingleses vigilantes nas docas.
Tarifas bancos fabricas trustes craques,
Milhões de dorsos agachados em colônias longínquas
Formam um tapete para sua graciosa Majestade Britânica pisar.
E a lua de Londres como um remorso.
Submarinos inúteis retalham mares vencidos.
O navio alemão cauteloso exporta dolicocéfalos arruinados
Hamburgo, embigo do mundo
Homens de cabeça rachada cismam em rachar a cabeça dos outros dentro de alguns anos.
A Itália explora conscienciosamente vulcões apagados, vulcões que nunca estiveram acesos.
 A não ser na cabeça de Mussolini.
E a Suíça cândida se oferece
Numa coleção de postais de altitudes altíssimas.
Meus olhos brasileiros se enjoam da Europa.
Não há mais Turquia.
O impossível dos serralhos esfacela erotismos prestes a deslanchar.
Mas a Rússia tem as cores da vida.
A Rússia é vermelha e branca.
Sujeitos com um brilho esquisito nos olhos criam o filme bolchevista e no túmulo de Lenin em Moscou parece que um coração enorme está batendo, batendo mas não bate igual ao da gente....
Chega!
Meus olhos brasileiros se fecham saudosos.
Minha boca procura a “Canção do Exílio”.
Como era mesmo a “Canção do Exílio”?
Eu tão esquecido de minha terra...

Ai terra que tem palmeiras onde canta o sabiá.