sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Politica


POLITICA

Mario Casasanta
Vivia jogado em casa
Os amigos o abandonaram
Quando romperam com o chefe político.
O jornal governista ridicularizava seus versos,
Os versos que ele sabia bons
Sentia-se diminuído na sua gloria
Enquanto crescia a dos rivais
Que apoiavam a câmara em exercício
Entrou a tomar porres
Violentos, diários.
E a desleixar os versos.
Se já não tinha discípulos,
Se só os outros poetas eram imitados,
Uma ocasião em que não tinha dinheiro
Para tomar o seu conhaque
Saiu á toa pelas ruas escuras.
Parou na ponte sobre o rio moroso.
O rio que lá embaixo pouco se importava com ele
E, no entanto o chamava
Para misteriosos carnavais.
E teve vontade de se atirar
(só vontade)
Depois voltou para casa
Livre, sem correntes
Muito livre, infinitamente
Livre livre livre que nem uma besta

Que nem uma coisa.

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