As atitudes inefáveis
Os inexprimíveis delíquios,
Êxtases, espasmos, beatitudes
Não são possíveis no Brasil.
O poeta vai enchendo a mala,
Põe camisas, punhos, loções,
Um exemplo da imitação
A parte para outros rumos.
A vaia amarela dos papagaios
Rompe o silencio da despedida.
- Se eu tivesse cinco
mil pernas
(diz ele) fugia com todas elas.
Povo feio, moreno, bruto,
Não respeita meu fraque preto.
Na Europa reina a geometria
E todo mundo anda – como eu – de luto.
Estou de luto por Anatole
France, o de Thais, joia soberba.
Não há cocaína, não há morfina
Igual a essa divina
Papa-fina.
Vou perder-me nas mil orgias
Do pensamento Greco-latino
Museus! Estatuas! Catedrais!
O Brasil só tem canibais.
Dito isto fechou-se em copas,
Joga-lhe um mico uma banana,
Por um tico não vai ao fundo.
Enquanto os bárbaros sem barbas
Sob o Cruzeiro do Sul
Se entregam perdidamente
Sem anatólios nem capitólios
Aos deboches americanos.
Lindo poema
ResponderExcluirVerdade!
Excluirgrande poema
ResponderExcluir��
��
��
��
��
��
��
��
��
��
��
��
��
��
��
��
��
��
Lindo poema
ResponderExcluir