quinta-feira, 28 de julho de 2016

Explicação:



Meu verso é minha consolação.
Meu verso é minha cachaça. Todo mundo tem sua cachaça!
Para beber, copo de cristal, canequinha de folha-de-flandres,
Folha de taioba, pouco importa: tudo serve.
Para louvar a deus como para aliviar o peito,
Queixar o desprezo da morena, cantar minha vida e trabalhos é que faço meu verso.
E meu verso me agrada.
Meu verso me agrada sempre...
Ele ás vezes tem o ar sem-vergonha de quem vai dar uma cambalhota,
Eu bem me entendo. Não sou alegre. Sou até muito triste.
A culpa e das sombras das bananeiras de meu país, esta sombra mole, preguiçosa.
A dizem que ando na rua de olhos baixo para que ninguém desconfie
Ninguém perceba que passei a noite inteira chorando.
Estou no cinema vendo a fita de Hoost Gibson, de repente ouço a voz de uma viola...
Saio desanimado.
Ah, ser filho de fazendeiro!
A beira do São Francisco, do Paraíba ou qualquer córrego vagabundo,
É sempre a mesma sem-si-bi-li-da-de,
E a gente viajando na pátria sente saudades da pátria.
Aquela casa de nove andares comerciais é muito interessante.
Quem me faz assim foi minha gente e minha terra
E eu gosto bem de ter nascido com essa tara,
Para mim, de todas as burrices a maior é suspirar pela Europa.
A Europa e uma cidade muito velha onde só fazem caso de dinheiro
E tem umas atrizes de pernas adjetivas que passam a perna na gente.
O Francês, o italiano, o judeu falam uma linguá de farrapos.
Aqui ao menos a gente sabe que tudo é uma canalha só,
Lê o seu jornal, mete a língua no governo, quixa-se da  vida (a vida está tão cara)
E no fim da certo.
Se meu verso não deu certo, foi seu ouvido que entortou.

Eu não disse ao senhor que não sou senão poeta!

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